quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PAZ XADREZ ( wikcionario wik dicionario filosofico etimologico aurelio houais infopedia )

Já vi uma tanajura

Presa na areia

Da praia longa

com terra lavada pela água

Porque na orla da água

Aonde ponho pé

- pé ante pé

Sentindo o molhar da água

E o sujar da areia

- sentindo o que sente o vegetal

Com senso de planta

Em pau-brasil

A pé no chão

Com a raiz plantada

Entre terra e água

pois a vida é terra e água

- e areia e água

Moldam a face da alma

E também a contemplação narcisista

Do espírito sobre as águas

Observando-se

No levante do sol

A iluminar o ser

por imaginárias pernaltas

Aves à beira d’água

Beira-lagoa

Beira-lago

Beira-paul

Beira-rio

Beira-beira

Beira-areia

Beira-bateia

Beira-ampulheta

Beira-clepsidra

Beira-beira-água

Ribeira...
- Beira-garça!

Enquanto o homem

Naufraga

à beira da loucura

na costa da demência

de costa a costa

nadando

sem eira nem beira

À beira do abismo

No mar abissal

Nau à deriva

À naufragar... :
a Nau dos Insensatos!

( o molho da água

Nos pés nela calcados

Batizados pelo Batista-da-água-em-beirada

João-Batista-à-beira-d’água-e-da-areia-e-da-nau...

E o tempero da terra

Nos sais minerais

E substâncias tais

Mais condimentadas

Que muitos acepipes

E mais ao doce

dos inúmeros pudins

que ao sal

e aos condimentos das especiarias

que vinham da Índia

quando navegava a caravela

- um moinho de vento à vela!...:...

Enfim sem fim

Nem verbo

Apenas no ato

De escrever

O que o fato

- De fato no ato...)

Ver uma tanajura

Ou olhar milimetricamente

Uma tanajura em solitude

Se remexendo na areia

Tentando se desvencilhar

Dos percalços que a calca

Nas armadilhas que a areia monta

Depois que a mão da água

Lavadeira que é

Lava-a e à areia

de cabo a rabo...

A tanajura aí-aqui

- É uma visão de vida

pululando no calor

Que a areia armazena

Sobre dunas

aos montículos

Aquecidos

Aquecidas

pelo olho do sol

tendo a umidade cavada por dentro

Como uma alma no corpo

- no corpo “de húmus” da areia

( outro corpo humano

Com alma de água

no aqueduto...

- Que duto dúctil! )

- A tanajura ao olho dada aqui-ali

( em ato e fato )

É uma dádiva natural

Dada enquanto dado

Dos sentidos

( tão sentidos!...)

numa visão invertida do homem

no espelho...

- Ao espelho que é o espectro

A ver sem venda

- Vendo sem venda

Por fora a tanajura

Que está fora de si

( do si bemol do homem! )

No dado da visão

no olfato que agarra

qual garra de gato

( inha-de-gato no mato)

na textura que as mãos seguram

constroem

ou que grudam nas mãos

moldando a matéria manipulada

bem como sentindo a forma da energia

que se expressa no conteúdo formal

da coisa em mãos

que de coisa se transforma em objeto

e de objeto em artefato...

ainda no alfa do “a” e do há

a visão de dentro

Da alma se movendo

Cavando-se no nicho interior

E saindo para fora

Em direção à tanajura

Caída na areia

Como um anjo

- nadando na terra

Como se terra

Fosse água

Em filete ou abundância

O fenômeno é um espelho

Da alma e da vida

No entrar e sair a água

Dentro e fora

Do corpo físico

Que flui vivo

na eletricidade

que salta pedras microscópicas

as quais são os sais minerais

( Pedrinhas para Pedrinho sobreviver... )

Os quais pontilham a água

Porquanto a água

Por suas pedras

Ou minerais em sais

Conduzem a eletricidade

Pé ante pé

Na ponta do pé

Com toda a fé

Do corpo do vivente

Ente

Que no homem

Abre o ser

Ao se manifestar

- na epifania

Humana

Nestas pedras em sais

Esparsas na água

É por onde passa a corrente elétrica

Mensurada em amperagem e voltagem

Conforme a volta que dá na pilha

Ou na bateria

Ou na bactéria

E pega de fora a tanajura

Com a pinça nos olhos

E a põe ou lança fora

Com o dardo lançado

E a ponta da lança

Que fere a realidade

- que é o dado real

Dardo em ato humano

Que lança

( que lança! )

O dardo e o dado

- dado e recebido

Emitido e enviado

Durante a caçada

Indo e vindo

Na ponta da lança

A qual se lança

Com os sentidos

Que perscrutam o mundo

Lá fora e cá dentro

Através da lança dos sentidos

- lançada

Acurada

Afiada...

Trazendo a vítima

Como objeto e coisa

Conquanto venha a coisa

Coberta pelo véu do objeto

Que a vela

Com luz e trevas
desvelada
no entanto
pela filosofia grega
no "logos" grego

O fenômeno é o espelho d’água

Onde se mira Narciso

Perenemente

No ato que é o tempo

A constituir o espaço

Em substância percebida

na filosofia de Spinoza

e posta por Deus

na matéria

movida à energia

do tempo

que é calor e frio

e demais contrastes

do sistema binário

que põe o sistema de apoio

de todo o conhecimento

no fundamento da doutrina do maniqueísmo

a única maneira do homem conhecer

mas não de saber

pois o saber

se funda em ato

e não em fatos

oriundos da erudição

obtida em livros

onde jaz o pensamento humano

morto depois dos atos

( até dos “Atos dos Apóstolos!”)

O saber não é ato

que se transforma em fato

algo mediato

mediado

exposto em enciclopédias

ou doutos tratados

antologias poéticas

poemas ou teorias

escritas com sangue de signos e símbolos

em pergaminhos...

ou por outros caminhos

“caminháveis”

- O conhecimento sim

É assim sim

O saber não

- não é assim não

O saber é ato puro

Ação viva

Não morta no pretérito verbal

É tempo em ato

na alma do ator

não do “desalmado”

cuja alma foi cavada

pela água que a alimentava

e alicerçava

que cavou um nicho na alma

erodindo-a paulatinamente

até a morte

ou o fato

objeto da ciência

que dissecar cadáveres

e olvida o ente vivo

em ato sem ser no verbo

mas ser no tempo

que é o presente

tempo de vida

aqui e agora

e não amanhã ou tresontante

cuja indagação

é pertinente à ciência

concerne ao objeto da ciência

que é o fato morto

histórico e historiado no fato

mesmo no passado

mal passado ou quase não passado

ou próximo em minutos

ou segundos do presente

objeto da perícia

que escraviza o perito

sob o peso do objeto

que lhe fornece o objetivo

e é o objetivo da ciência

escravocrata

nos nichos escusos da democracia

pseudo-grega

gregária

para a grei caprina

ovina e muares...

A sabedoria

É a antítese do conhecimento

Porquanto sua aquisição

Dá-se com a vivência

Imediata

Não mediada por mediadores

Juízes e outros estorvos

Na metade da maça mordida

( por Steve Jobss!

- da Apple )

A sabedoria é o tempero da vida

É a inteligência vigilante

Ágil no fio do tempo

Que não passa

( o que passa é o vento!

Assobiando em meio às flores e abelhas...)

A sabedoria trata direto com a vida

Que é ato

Não fato

Que é feita sem desfazer

Na renda ou no rendilhado do ato

Ou dos atos ato-a-ato

Porquanto o fato é morto

O morto na cova

- O frio corpo do defunto

Que jaz em literatura

Ou na escrita final

Do último capítulo

E derradeira página do livro da vida

Ao se encerrar

Sem cerrar os olhos

Vidrados

No desvio do gozo fatal

Ato é vivo corpo

- Corpo da criança na criação

- criança criando-se!

Embutido em corpo cálido

Envolvida pelo corpo criador

- do criador e da criatura

( se os há )

Pois na criança

a alma é cândida

Como a flor branca

Postada no caminho

Em paz xadrez

De branco e preto

( A paz na pomba branca

pomba preta

e pomba que o verbo

tira do ato

e põe no fato

- símbolo e signo humano

com a face da cultural )

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