domingo, 8 de agosto de 2010

CONSPÍCUO AMARELO



AMARELO CONSPÍCUO
I
É uma casa amarela /
de vela na mão da meia-noite /
pelos corrimãos aonde andam penados fantasmas /
que um dia fora gente no olho do girassol /
e sob o olhar amarelo do sol /
quando visto de um co-seno /
na corda que olha no olho /
e faz o olho ver o amarelo /
que respinga na lua falciforme /

no quarto mingante /
porquanto o sol a pino na angulação /
que o sol faz na rotação da terra /
mela de amarlo conspícuo o mel /
e o luar remela /quando não em novilúnio /
e no plenilúnio para lobisomens calcados no imaginário /
que o que é lua e sol põe no ovo /
indo a caminho pegajoso da gema /
ao girassol ratificado em Van Gogh /
espargido pelo pintor do tempo /
nas paredes velhas da casa amarela /

- porque ela é amarela ao ser amada em ré menor /
ou maior conforme a paleta do instrumento /
lá no canto da casa velha /
arraigada na flor de genes alelos para os amarelos belos /
- velos de ouro de Jasão /

Casa amarela ela é /

vela nocturna a bruxulear /
em bruxuleante tremeluzir para Santa Luzia /
curadora dos olhos vendados /
que não desvelam das trevas o bruxuleio /
da bruxa que a vela desenha com sombras na parede /
- sombras que meu pai fazia com os dedos /
antes de fantasmagoriar /
- antes de ficar quedo e mudo /
plantado na mente em atos e fatos /
no tempo que acabou para ele no universo físico /

Casa amarela em tela de vela /
com janela para lua que vela e mela mel /
- vela no céu de asa e no mar inflada /

- inflada em busca do velocino de ouro /
nas terras carregadas pelo vento de Eolo /
o deus que venta /
( a casa amarela vela a noite /
com uma vela na mão de uma velha /
macilenta lívida banhada a ouro de palor de luar /
pálida lua noctâmbula ) /

Casa amarela em tranca e trela /
bela na janela com estrela /
pendida feito murcha flor em umbela /
esdrúxula espúria exótica umbela /
uma bela umbela amarela que pende em flor /
e aspira descer do alto do amarelo /
e vir abaixo ao verde olhado em musgo /
hera erva gramíneas todas as forrageiras /
e posteriormente saltar sobre o conspícuo amarelo /

também derramado no outono das folhas deitadas no chão /
- anjos nos alfarrábios de páginas amareladas pela cor da escrita do tempo /
que desenha em gema de ovo e pedra preciosa /
a vida do pintainho saindo do ovo ao sol /
e a decadência das folhas no ocaso em outono /
de folhas decíduas e árvores caducas /
no chão em pó para anjos plantados no morto /
que um dia foi amor me criança /
- filho filha neto ou amada que valha /
a dor lancinante que é viver /
e perecer quando o tempo amarela /
na folha e na flor em umbela /
que foge virgem pela janela da cela do monge e da monja /
que medita e medeia o mundo /
sempre lá fora /
no aberto espaço amarelo impenetrável /
onde as flores falam com trombetas nos lábios /
soprando arcanjos amargos e doces /
- todos decaídos na cor que o tempo leva /
da vida que vegetou verde /
- verde violinista tocando a melodia de Chagall /
arameu errante /

II
A cor é o olho por fora /

o olho existente no mundo /
que bate e rebate a cor amarela /
como se fora uma bola amarela /
no pé do jogador de futebol ( brasileiro ) /
assim com outras bolas atiradas ao azul longo até anil /
( olhos e cor se interpretam mutuamente /
são leitores recíprocos /
hermeneutas exegetas eruditos /
Modigliani Van Gogh e outros exegetas do amarelo /
na casa de Davi e Wassily Kandinsky ) /


( É que a cor amarela tem matizes mais expansivos /
tecendo diálogo entre o sol e o girassol /
a gema se remexendo na gema do ovo /
e queda e muda na pedra preciosa /
indo andarilha da casa do mel à fruta encapsulada /
enrodilhada no ouro do império chinês /
assinalando o veneno nas serpentes e anfíbios /
- os quais são casas amarelas onde está plantada a farmácia da vida /
- anfíbia farmacologia da vida /
que não precisa do logos grego para dizer /
pois prescinde da existência /
que vem em palavras de poesia e filosofia /
no pensamento : que é o ser que a existência em vocábulos /
põe no ovo em equação elipsóide /
que é o universo criado no ser do homem /
e da mulher que olha o amor /
no amarelo da fruta /
no paraíso pleno no último acorde do fruto /
pendido na árvore da vida /
no centro do Jardim do Éden /
- mexendo dentro de Eva /
que é todo o paraíso perdido! /
e reencontrado /
- achado ) /

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