terça-feira, 22 de março de 2011

CASA DE POEMAS NA POESIA DE ADÉLIA PRADO

A casa amarela à capela /
sem arranjo de banjo de anjo ancho /
arrasta entardeceres anoiteceres amanheceres /
o ser que seja no tempo /
que venta folhas amarelas do outono /
e mora do outo lado do amarelo florido /
adejante em borboletas /
pictografado nas borboletas amarelas /
paralelas ao conceito do vôo /
também esvoaçante ao vento do azul-pomba /
no céu enrolado em anil /
( o rolo de anil ou o pergaminho azul ) /
de uma ternura feminina /
na poesia visceral vegetando em Adélia Prado /
( Poesia vegetante-vegetativa de Adélia Prado ) /

A casa é oca no espaço cavado por dentro /
( oco cavado no amarelo /
amarelecido pelo tempo /
com sua sua brocha ou pincel ) /
- casebre oco por dentro do côncavo /
escavado em arqueologia para paredes nuas /
cova para semente /
seminal vácuo /
- casa cavada na veia cava /
que não cava a cova /
- cava a fava ( Vicia Faba ) /
de extensa família botânica enramada no chão /
- a família "Fabaceae "/
família das leguminosas ( "leguminosae" ) /
onde estão o feijão ( "Phaseolus vulgaris" ) /
a ervilha ( " Pisum sativum") /
a alfafa ( "Medicago sativa" ) /

Casa é túnel /
( cavado pelo poema de Adélia Prado ) /
abrindo-se à entrada da mulher /
escavada na rocha geológica /
de objeto arqueológico em egiptologia constante /
no "pi" radiano e na equação de Planck /
quantificando a frequência da luz /
( Mulher é ser não-lido /
- ilegível ser indescritível /
não decifrado na Pedra de Roseta /
- Esfinge respirando as areias do deserto /
aonde Jesus foi para ser tentado /
e Santo Antão também ) /

Casa é ser côncavo aberto ao ser convexo /
coabita na caverna que alberga a virgem transpassada e o varão /
que cava e cabe no interior das trevas /
em energia escura do buraco negro /
de onde se origina o universo /
pela explosão de partículas cósmicas /
a qual precede a luz /
mel de abelhas enxameadas em galáxias chiantes com rãs palustres /
paul pântano charco /
charneca em flor de Florbela /
( Casa é mulher /
a mulher sempre é a casa /
e uma das colunas /
que segura o teto e o arquiteto /
mesmo depois da fuga do arquiteto /
- da outra coluna /
- da coluna Boaz /
que ela é Jachim /
e sustem o teto e o arquiteto /
sob o teto que Sansão não derrubará ) /

Mulher é casa não infensa à demolição /
cabana choupana chalé palácio castelo /
túnel escavado por dentro /
- túnel escavado pelo arroio geológico e arqueológico /
onde cabe um varão vigoroso /
e posteriormente o deus menino Amor /
que o mancebo esquecera em semente na terra santa /
e trouxe como guirlanda de flores ao ventre materno /
- a terra dentro da terra /
- terra interior /
no mais interior da Terra /

Verseja Adélia Prado /
escavando a idéia de túnel e exílio /
mulher adentro /
no seu descampado de poetisa que pisa erva /
dança em cima de ervas daninhas com boninas /
e sobe com o lagarto pela hera /
ou às costas da liana que toma de assalto a muralha do castelo /
- a fortaleza aonde se escondia /
o senhor de baraço e cutelo /
sonhando ser o dono do mundo /
no interior do ventre do castelo /
onde dorme em posição fetal /
e sonha no escuro /
de um sono que não permite ao feto /
abrir os olhos /
antes de emergir à superfície /
onde o sol bate na água /
- num toque de tambor /
percutindo o som que produz a mão-de-luz /
no espaço exterior /
onde se vai paulatinamente fortalecendo no amarelo /
cor vital refletida na luz do vitral /
da gótica catedral /

Entranhado no amarelo /
a casa de poesia de Adélia Prado /
brinca de esconderijo no amarelo /
amarelecido na amarelinha /
- casa de brinquedo /
e bonecas do milho ao vento /
que sopra o milharal /
à maneira de um moinho de vento /
ou dos fios de madeixas fulvas /
no único pé de milho grafado em signos por Ruben Braga /
um poeta adejando com a borboleta amarela /
- que espoleta! /

Não obstante sei /
que naquela casa para o amarelo subir nas paredes /
de tanta alegria! /
há outrossim a dor /
que amarela os lábios /
porque o homem é o Homem das Dores /
flagrado pelo profeta Isaías /
cujas piores dores não doem no corpo /
pois são dores morais /
floridas na lírica intimista /
vazada em lírica intimista /
- e a mulher é o mesmo ser /
com outra planta no corpo /

sábado, 12 de março de 2011

ALICE FORA DO PAÍS DAS MARAVILHAS ( MONJA NO EREMITÉRIO)

Alice era um lavadeira que não lavava no rio /
São Francisco descalço pelas pedras /
um rio cantante na terra onde o peixe pululava /
no principio quando Deus criou os peixes /
após por o espírito sobre as águas /
a pensar no pensar /
que é a metafísica antes de Aristóteles /
Alice era triste e só /
monja sem eremitério ou ermida /
nem teologia ou qualquer preparo intelectual /
de instrução mínima /
ao gosto dos frades menores sob a ternura de Francesco /
Alice era tão soturna que nem cantava /
mesmo onde a água canta batendo na pedra /
na cachoeira de cabelos escachoantes /
aos cachos de deusa grega na espuma /
nas "espumas flutuantes " escritas por Castro Alves /
excelso poeta destas terras e águas /
com palmeiras e verdejar /
e marimbondo a versejar /
- a poesia lírica do marimbondo /
épica em Camões e canhões nos ferrões /
que picam e ficam na ferida onde houve a picadura /
com dor para envergadura de condor nas alturas dos Andes /
aonde voou a poesia de Castro Alves /
elevada e andina e condoeira /

A cascata do rio São Francisco canta a noite inteira /
depois que o tempo diminui o ritmo /
no pingar do orvalho em madrigal na madrugada /
que em si é um madrigal musical /
mas Alice não cantava /
nem uma amarela canção de beco /
um pintainho amarelinho que Caimy punha fora /
na canção que compunha e gorjeava /
o poeta popular da Bahia de todos os santos /
travestidos nos orixás da África /

Alice lavava lá em casa /
( sem lá lá lá mas lá em casa ) /
próxima a uma cisterna aberta /
torcia e batia a roupa no tanque /
ante meus olhos de menino engolindo o mundo /
gulosos olhos curiosos /
pretos olhos grandes de anum assustadiço /
a voar pelos esgalhos que o dia punha nos arbustos /
floridos ou desfolhados galhos na decaída do outono /
decíduo tempo de folhas amarelentas /
a girar lentas no ar /
até cair no chão folhado /
ou folheado a amarelo carmelo /
com algumas flores pulando de pára-quedas das árvores /
e outras vindo pousar de helicóptero /
de uma árvores com flores brancas /
- flores helicoidais /
que giravam no ar qual helicóptero Apache /
brancas como noivas de vestido branco /
mais alva que a flor de laranjeira na barra da alva /
( flor de alba /
Alice era uma flor de alba /
conquanto sua pele fosse do amarelo /
tinta na cor amarela da janela /
ou da parede interna dela /
- da casa interior amarela /
que fica na aldeia da imaginação do pintor Marc Chagall /
- na vila do poeta onde chegou o circo-de-cavalinhos ) /

Era velha e morava numa casa de doida /
- casa onde a noite habitava em todas as trevas /
com todas as partes mais negras revestidas de trevas /
Numa casa de louca /
desaparecida no amarelo /
olvidada pelo amarelo /
que esquecera a cor das paredes internas e externas /
numa tonalidade cromática que amarelecia o olho /
numa febre amarela de olhar /
uma casa mancando e quase caindo /
cujas paredes e teto estavam a pique /
sobre a cabeça da pobre velha /
Com paredes escoradas com pau por colunas /
e em companhia solitária dos cães /
que velavam as velas que sopravam a vela da noite /
até o branco na vela da barra da alva /
branca vela nos olhos em paz de pombas /
depois de arregalados e revirados /
no bizarro orgasmo da morte /
última parceira sexual amorosa /
- ali Alice alimentava o fogo na vela /
ou no candeeiro antigo e amassado /
( a vida de Alice estava amassada na massa /
que a gravidade amassa na massa /
na massa do átomo e da molécula /
na massa de um planeta ou de uma grande estrela ou galáxia /
na massa falida /
e na massa popular /
massa de manobras do demagogo ) /

Alice não tinha pais nem país algum /
( nenhum Brasil queimava sua brasa no pau ali /
- passava bem sem pau-brasil ) /
nem tampouco homem ou filha /
não tinha história nem tampouco estória /
mas lenda negra /
rondava sua vida /
- macabra lenda de mulher solitária e em perpétua solitude /
que era uma eremita sem o ser /
sem querer ou saber de ermitoa /
sem cacoete para sóror /
- era ermitoa ao modo próprio /
também pelas circunstâncias da vida /
e continuou sendo foi eremita sobre a terra /
uma erva só na terra longa em léguas e alqueires /
até perder os olhos de vista /
para a morte negra /
na morte escura /
que mascara a treva /
mascara os olhos /
tapa a luz dos olhos /
desfaz a luz num borrão /
ignora Lúcifer /
faz cair e jazer em terra /
- nos subterrâneos de Hades /
até que a alma ascenda ao descendente /
que aspira seu corpo em podridão no chão /
e respire aspirando-a para cima /
na primeira inspiração /
soada antes na sopro de Deus na trombeta /
e inflando assim os pulmões de Alice /
em nova parte feita de seu corpo /
com outros corpos /
que pisaram sobre ervas daninhas /
no solo argiloso e nada ardiloso /
raiz para pés /

Alice sempre esteve alienada /
- exilada do país das maravilhas /
aonde não palmilhara peregrina /
andarilha andorinha /
( Talvez quem sabe /
tivesse uma filha /
que poderia ser encontrada /
no País das Maravilhas /
que dista um sonho daqui e dali /
- Dali ou de lá ou acolá ) /
Ficheiro:Juan CARREÑO DE MIRANDA - Queen Mariana de Austria as a Widow.JPG

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

VIOLINOS DOS ARTÍFICES sTRADIVÁRIUS E AMATIS : ITÁLIA

(Violinos dos artífices italianos Stradivárius e Amatis, Itália dos afrescos frescos de Giotto na senda da pobreza apaixonada de São Francisco de Assis., pois o violino é instrumento máxime em exprimir paixão que marca a alma italiana.Stradivárius e Amatis de Cremona, na itália )


A natureza é uma tocatta e fuga para dois violinos /

que dois violinistas tocam /
sendo o violino a própria natureza /
tocata em flor e mar /
- Inobstante, os violinos dos artífices são : um Stradivárius e um Amatis /
obras máximas dos dois geniais fabricantes de violinos da Itália /
uma vez que o violino /
por ser um instrumento musical máxime em exprimir a paixão /
tão-somente podia vir da alma italiana /
tão apaixonada como um São Francisco de Assis na senda da pobreza extrema! /
nos afrescos de Giotto /
( Oh! mar! - amar é o que é mar /
de mar a mar /
que mar é amar /
independente de aposto a letra alfa /
no largo vôo da envergadura do albatroz /
na pesca do peixe no bico do pelicano /
pai de grande família : Pelecanidae ) /

Amar é ir a mar remar mar a mar /
até amar ao chegar semi-morto /
na areia branca onde rola e repousa o náufrago /
de tanto mar a nadar /
mar aberto a mar /
a amar mar e terra alva calçando com suas sandálias de areia /
o pé da terra onde nasce a palmeira /
bandeira ao vento /
como se fosse o coqueiro um navio pirata /
com a bandeira da vida verde desfraldada /
sussurrando cantigas de amar ao vento /
que vem ventando a ventania furiosa de amar o mar /
e vergar as tamareiras amadas de mar a mar /
até a preamar chamar o luar para amar o mar /
que ama a margem ao modo de amar do mar /
com Tritão e Poseidon na poesia de mar amar /
que mar é amar Netuno e Anfitrite (Salácia) /
oh! mar de muito mar! /
de sete mares /
e muito amar /
até debaixo d'água verde ou azul /
consoante os olhos postos no mar /
sejam dos de meu irmão /
ou de meu falecido pai /
que vive e existe pleno em mina mente /
onde o tempo é meu produto /
- o tempo é produção do homem /
pois a natureza não executa atos /
mas tão-somente fatos /
porquanto atos são movimentos exclusivos do ser que habita o homem /
e são originários da mente racional e emocional do ser humano /
( o ser humano é o portador do ser /
e outrossim o senhor do ser) /
enquanto os fatos são irracionais /
e não se originam de nenhuma vontade /
nascendo de causas e efeitos /
obedientes a princípios imutáveis /
pois não diferente dos atos /
os fatos não são movidos pela vontade /
motor do ser humano /
e o ser supremo cujo templo é o ser do ser humano /
penteado de lua ou aurora /
belo como a mulher e criador como o menino /
que tudo começa com sua vontade férrea /
iconoclasta que derriba velhas tábuas de valores /
e põe deuses e ciências a beijar o pó do chão /
no ósculo humilhante /
pois somente o homem é grande /
sendo os arcanjos pequenos /
e os demais seres suas criações poéticas ou científicas /
artefactos tecnológicos ou teatro ritualístico /
Oh! mar, ó mar, Omar! /
amar-te de Marte /
ou de Marta /
ou da marta com sua pele preciosa para casacos de madames /
Ah! mar, há mar de Marte a Marta /
que amar vai de Marte a Marta /
e de mártir em mártir /
até a morte de mar a mar do ato de amar /
na amargura do mar morto /
- morto mar morto amar ) /

O violinista verde toca o musgo /
(tange o musgo como música /
na musa que dança no violino /
todo de clorofila vertido /
na glicose da musa /
que põe o mel da abelha nas cordas do violino /
e na baqueta deixa o favo /
aspirando o espírito longânimo da geleia real /
dieta para abelhas-mestras /
abelhas-rainhas cercadas de aias ) /
expande a cor do musgo no musgo /
no seu pastoreio de ervas daninhas /
heras e lodo e verdes mares /
( ai! mares! que há mares /
nas dores dos mares /
que magoam viúvas /
por dentro de seus mares de saudades /
- mares onde jazem saudosos /
tantos homens e mulheres e crianças /
que não alcançaram a ilha de Robinson Crusoé /
depois que o navio adernou /
após o naufrágio trágico e célebre do Titanic /
- e forma tantos tontos Titanics! /
que soçobraram inopinadamente no mar /
ao encontrar um recife ou um escolho ou iceberg /
frio como a rigidez horripilante da morte ) /

Mares, ah! mares!, oh! mares!,ai! Mares /
expressos em ondas no azul da sombra do anil /
à sombra espessa do anil posto na flor do chão para ervas daninhas /
e no céu para aves hábeis como a fragata ou a águia ou o milhafre e o gavião /
- anil tocado com sentimento pelo violinista azul /
o violinista celeste de sentimento piegas /
homem comum oriundo do povo /
pastor de outros ares e montes Urais /
fascinado pelo horizonte sem fim na asa do pássaro /
ou da borboleta que passa leve e lépida /
na leveza da levedura de cerveja /
amarela flor do ar /
inflorescência em vôo /
nos jardins suspensos no ar /
volúvel volúpia volante /
folha volante no raso do amarelo outonal /
com a face no chão de folhas e flores /
anjos e arcanjos naturais /
- primeiro passo vegetal para o natal da fênix /
tocada em violinos febris /
para ouvidos de poetas /
habituados a ouvir esses violinos Stradivárius e Amatis /
que a cada novo outono no chão esparso no amarelado /
pelo tom do ouro do renascimento /
da ressurreição e reencarnação de ervas e folhas e flores nas árvores /
e arbustos ou lianas que há a trepar em sebre e muros ou muralhas de velhos castelos /
convoca Paganini a tocar o melhor Stradivárius /
que a natureza esconde num museu /
cujo palácio exuberante está localizado na mente humana /
aonde vão os poetas e artistas em peregrinação /
que ali está sua Meca /
na aldeia de dentro do ser humano /
- aldeia congelada na imaginação /
que somente a paixão ardente do poeta descongela /
e faz da aldeia que era uma cidade-fantasma /
que era um cemitério para avantesmas /
uma vila habitada por eremitas felizes /
aonde vai um circo de cavalinhos para as crianças sorrirem á vontade /
e lembrarem que poeta-pintor de nome Chagall /
arquitectou tantas aldeias assim /
que continuam congeladas em suas obras /
cobertas pelas Eras Glaciais /
que gelam a sensibilidade e o senso de beleza dos homens comuns /
- pobres diabos de sangue frio /
tal qual os lacertídeos e as serpentes sem paraíso /

Mares, ó mares, oh! mares, Ah! mares /
sim, há mares e há mares e amares /
ainda mais para lá dos mares /
mares de cá e/ mares de lá /
mares de Alá /
- mares de Alla /
cujas águas pintam nos olhos os verdes da mata atlântica! /
e os olhos verdes eternos de meu pai! /
que foram os maiores mares que já vi de mar a mar /
a rebentar nos recifes e escolhos /
- mares de amar até sem ouvir o bramido do mar /
até mesmo e ainda de olhos vendados pela escuridão hermética da noite /
mais negra que o anu-preto /
Mar que ressoava lá dentro /
de tanto mar verde era o amar do mar /
nos olhos verdes de meu pai! /
- verdes de querer o verde /
( e de te querer verde ) /
como o queria apaixonadamente o poeta Garcia Lorca! /

( Há mares que vem para mares /
e há mares que vem para amares /
- mares sem males /
só mares e amares! /
nos sete mares os sete amares /
correm junto a corrente do Golfo /
e a corrente de Humboldt ) /

Todavia há mares que pintam o azul /
nos olhos do anjo azul do último rebento /
do filho caçula de meu pai /
cujos olhos açulam e mexem com o azul dos céus /
revirando nuvens e olhos de pombas em solitude de vôo /
- olhos azuis que fitam fixamente o anil /
que se mescla em cor de sonho de alva onírica /
dentro daqueles olhos em azul angelical /
de criança mimada que se pensa dono do mundo eternamente /
Ai! que esse belo tom de anil /
os olhos de meu pai desmanchava com o amarelo-ouro /
que adornava o verde mar em procela e procelárias /
vivos em seus olhos complexos /
- de uma beleza complexa e invulgar /
e de uma fúria das Fúrias mitológicas /
que pareciam esconder Medusas e suas serpentes /
quando o ódio de mar revolto os toldava /
e fazia naufragar veleiros /
( Meu progenitor era um Robinson Crusoé que alcançou a nado a praia /
depois que seu barco foi à deriva /
um velho veleiro que sempre é metade do homem /
centauro de seus inventos /
como o demonstra uma parábola gráfica e pictórica de Salvador Dali /
na obra intitulada " o Barco " /
onde um homem acaba de sair molhado de mar como o pintainho da gema e da clara do ovo /
e está com o veleiro junjido às costas /
logo que sai à costa /
tal qual um Robinson Crusoé /
cujo barco naufragou /
mas continuou preso às espáduas do homem /
porque a invenção do homem /
traz sempre o princípio do centauro /
que é o homem metade animal e metade ser humano /
que se transmuta em meio homem no corpo /
e meio barco ou outra invenção sua /
presa e arraigada ao seu corpo /
como parte artificial /
que não se pode retirar /
sob pena de morte /
já que o homem não sabe mais viver /
sem o seu invento /
que incorpora também ao e principalmente ao seu espírito /
porquanto é um produto da mente /
que do nada tira outro ser ou ente /
que o ser do homem dá à luz /
como demiúrgo que é ) /

Meu pai era um violinista verde /
( aquele violinista totalmente embriagado! /
que Marc Chagall pintou ébrio /
e ainda com sede de mais vodka! ) /
e todo o violino verde mais o violinista verde /
cabiam nos olhos de verdes mares do meu pai! /
cujos olhos tingiam o mar de verde /
só de olhar ou mirar o mar /
tal o vigor que aquele olhar irradiava /
porque há mares e mares /
e mais mares que os sete mares /
haviam e conviviam no âmbito verde dos olhos de meu progenitor /
mas mais que mares /
muito mais que mares /
- há amares /
amares /
e havia mares e amares nos olhos do meu pai! /
para além dos mares verdes e azuis /
que balouçam bergantins /
e põe gaivotas no ar /
como se fossem ovos /
- ovos postos no ar /
escarnecendo a gravidade /
e quaisquer outras leis /
que os engenheiros têm de respeitar /
porquanto não têm a liberdade do gênio /
nem a licença do poeta /
que fazem geometria do nada /
e constroem motores e edifícios /
nas suas arquiteturas /
que um dia os engenheiros inteligentes acharão o ritmo /
de onde poderão encetar o cálculo /
e achar o caminho material para plantar edificações e aparelhos /
que antes era impossível construir na prática /
tirar da prancheta do arquitecto /
ou do "design" que o projectou /
na pura arte de usar o pensamento /
livre de quaisquer amarras /
para lá onde as normas fincam proibições incolores /
indolores /
e em Dolores /
cujos filhos já não vem com tantas dores /
como antes eram os filhos concebidos por Maria /
então cognominada Maria das Dores /
Nossa Senhora das Dores /

mãe sempiterna do Homem das Dores /
( que somos nós /
os seres humanos /
que carregamos todas as dores do mundo /
porque o animal só parece saber da dor física /
O homem, entretanto, conhece a pior das dores /
a pior das cruzes /
o maior e mais terrível calvário / que é a dor moral! /
- a dor para a qual não há sequer lenitivo /
nenhum paliativo ) /

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

PONTO FUTURO SÓ EXISTE NA MENTE : PURA GEOMETRIA

(Ponto futuro só existe na mente humana, sendo a mente algo que transcende a energia e a matéria não está no cérebro mas pura geometria , abstracto , inexistente fora da mente: o nada )
Ponto futuro não existe /
senão como uma expressão que traduz a geometria /
em luz geométrica /

Ponto futuro não é nenhum ponto posto /
nada posto enquanto ser /
( o ser é posto no mundo /
tal qual o ovo põe o pintainho fora da casca /
na escavação arqueológica da vida /
saindo para ser e ter seu ente /
- sendo o ente o corpo físico e químico e eléctrico e eletromagnético /
além de estar pendurado na força da gravidade e outras forças atômicas e sub-atômicas ) /
Portanto nada que existe /
sem que manifeste o ser na existência do homem /
( o ser fabrica a existência e a vida /
assim como as abelhas jataí faz o mel e a geléia real ) /
porquanto natureza não sai da realidade /
como faz o homem /
e vai da realidade à geometria /
que é algo mais mental que real /
ou uma mixórdia de realidade e ficção pontual /
elucubrações exclusivas do ser humano /
e não do ser natural que paira sobre as águas contidas nas plantas /
e nos corpos de todos os animais /
que são mais do que chamamos "animais" ) /

Ponto futuro nem sequer nunca vai existir /
senão enquanto hipótese /
pois o que não existe jamais vai existir /
uma vez que não é a mente humana que vai dar algo à existência /
engrolando na língua na palavra "futuro" /
algo apenas em plano de hipótese /
que não é nem foi nem jamais será /
senão na ficção da mente humana /
que pensa com o que há nos objectos que vê intelectualmente e perceptivamente /
em larga e longa sombra de conhecimento /
e outrossim pensa com o que não há /
sem quaisquer sombras cambiantes de objectos /
no vazio das abstracções e do nada /
que é a parte maior do pensamento do ser humano /
sua extensa noite profunda e sem estrelas para piar luz /
ou pipilar o dilúculo que pintará o céu como uma moça bonita /
com sua beleza que gera a vida /
a roda do do vem substituir o que vai /
no vaivém do tempo que o ser da natureza desfolha /
- um tempo calcado no movimento no calor e no amor sexual /
depois filial maternal paternal /
na paixão que une os amigos e no incomensurável amor ágape /
que anima os santos e as santas /
pois o existir de uma coisa ou ser é algo em si /
e não a percepção da mente humana /
que apenas lê e reescreve o que percebe /
na mixórdia de realidade natural e mundo mental /
( Não obstante, a existência é apanágio exclusivo do ser humano /
porquanto as coisas existem mas não arquitetam ou projetam uma existência /
que é algo interior ao pensamento /
uma ação ou ato do pensamento /
em conflito perene com os fatos naturais /
que se deitam no chão em folhas de outono /
nas árvores ou arbustos que lembram do outono /
anda no lugares sem outono na mente humana /
que não o ode ver porque é cego pelo o que lhes sopram em vocábulos /
desde a escola para todos os tolos saírem iguais /
os produtos de uma fábrica cujo produto é o mesmo ) /

O ponto da geometria é sempre presente /
quando dado em realidade e natureza /
e não meramente na percepção e ciência do homem /
que cria uma mito para tentar alcançar o que é real e natural /
que persegue o conhecimento e a arte com a mente /
que é um reino vasto de fantasia e imaginação inenarrável /
- sendo o mito sua única maneira de abordar parte da realidade e da natureza /
com signos símbolos e sinais que gravam pensamento e percepções humanas /
enquanto ciência e filosofia e poesia e religião /
todos seres saídos do feixe intrincado de símbolos e signos e sinais /
que são a estrutura e simultaneamente o motor da mente humana /
( sendo essa mente algo misterioso e criado pela convivência social e cultural /
que supera o próprio cérebro /
pois o encéfalo e os nervos raquidianos são concretos /
enquanto a mente é abstracta /
um nada de onde emerge o ser e o tempo /
e toda a geometria /
que é o saber e o conhecimento incipiente /
do que em os demais conhecimentos e saberes /
porquanto os saberes vem do cérebro e suas percepções /
são atributos de todos os animais e insectos e quiçá dos vegetais /
enquanto a mente está fora da realidade palpável /
num mundo de pura geometria //
que é a matemática a cavaleiro negro dos números /
da engenharia e de toda a física e química /
de todo o eletromagnetismo /
e da formação da consciência e auto-consciência /
que faz o filósofo e o artista /
o sábio e o cientista /
a ética e a religião /
a economia e a sociedade e a cultura /
e tudo o que é tão-somente apanágio do ser humano ) /

O ponto presente é o único real /
porém o ser humano carrega com o verbo /
um ponto futuro inexistente /que somente a mente põe num mundo /
que é tão-somente o universo mental /
retroagindo a um ficto passado verbal /
através do veículo do verbo /
( o verbo é a máquina do tempo /
construída e em ação na mente humana /
fabricada de triângulos e demais figuras geométricas /
que não traçam uma linha no real /
mas todas no abstracto vazio de onde se originam /
no repouso e ação per´´etua do tudo e do nada /
que é por onde vaga o pensamento de Deus /
que não carece de nenhuma energia cerebral /
ou de qualquer outro tipo de força /
para existir num mundo /
onde a existência é trabalho exclusivo de Deus ) /
O verbo, portanto, suscita uma ficção de futuro /
que só tem existência e pode ser posto como ser no verbo /
enquanto instrumento de revelação do verbo /
que move em palavras e pensamentos a mente do homem /
abaixo abissal das ondas do existente no supra-mundo /
aonde as idéias de Deus paira sobre as mentes /
de Platão e outros filósofos /
que de tanto amar /
puderam sentir mentalmente /
as ondas da mente divina /

No mundo material fático onde vivemos /
vegetais arraigados á terra /
animais arrastando as patas ou tatalando asas de pombas /
na mansuetude de Jesus quando passou por este solo manchado de sangue /
o que posso ver em realidade e no horizonte /
é que uma bailarina de Degas dançando na chuva /
é sempre um ponto presente no quadro /
pictografada pelo artista impressionista francês há alguns anos /
mas que continua viandante com passos no futuro do verbo /
conquanto ancorada no ponto presente onde a obra continua plantada hoje /
que é o mesmo ponto onde esteve arraigada feito erva ontem /
quando o pintor impressionista a pôs a dançar sob sol /
e continuará ignorando o verbo /
pois estará sempre no mesmo tempo /
embora os verbo e os advérbios façam crer com a língua mental /
que houve um tempo captado apenas pelos verbo que se lança no passado /
e outro no futuro /
como uma nave que se move no tempo /
mesmo vendo que o tempo não se move /
mas tão-somente o motor do espaço /
com calor humidade força e velocidade /
e uma infinidade de energias e ventos que movem moinhos de vento /
fazem Dom Quixote arrostar um moinho de vento /
dentro da mente humana /
que é então transplantado do imaginário de um louco /
para a terra natural abraçada a raízes /
por causa dos movimentos do vento e das marés /
dentre outros inúmeros motores /
sobre a ação dos quais o verbo e os advérbios /
sintetizam um mundo ficto /
que é o mundo real da mente /
que se transforma na mixórdia do que pensamos ser o saber /
e o conhecimento humano /
( o saber é de todos os seres vivos /
mas o conhecimento que provêm da mente /
é obra exclusiva de Platão /
e daqueles sete sábios da Grécia antiga /
e dos indianos e judeus e todos o povos /
que criaram sua ciência /
na mixórdia com a religião ou não ) /

Por fim eu queria mesmo /
era usar minha mente /
para ressuscitar um vagalume /
um magnífico coleóptero /
que me deu a honra de pousar na parede do meu quarto chinfrim /
e que inadvertidamente matei /
antes de descobrir que ele carregava o archote /
assim como o anjo da noite e da manhã /
o príncipe de Deus /
e outrossim adejar por três ares /
ou três dimensões do oxigênio /
e me por sob o amarelo das borboletas em vôo gracioso /
e o manto de luz amarela que cobre de sonhos as flores /
que dizem das azinhagas e das sebes /
escabelo dos pés de poeira descalços das Carmelitas descalças /
por Santa Terezinha do Menino Jesus! /

domingo, 23 de janeiro de 2011

A COR AMARELA :CHAPÉU DE PALHA E PALHOÇA QUE ABRIGA A VIDA




A flor escondida no amarelo /
a borboleta rodopiando dentro do espiral do amarelo /
na teia ou cadeia da vida em espectro amarelo /
que esboça o prazer dos olhos /
desenhados e pintados sob o sol de Deus /
e o girassol de Van Gogh /
filho amoroso de Deus /

O amarelo bom e belo das pintainhas /
que cavam um caminho no ovo /
com o elo do amarelo vivo das gemas /
- o amarelo viandante nas ondas de luz /
que sacodem as trevas trêmulas /
sob a luz tremeluzente /

O amarelo revela o que se oculta /
sob a cor amarela /
- chapéu de palha e palhoça que abriga a vida /

seguido de um instante eterno de silêncio na inteligência /
porquanto a inteligência é atributo somente de Deus /
que a presenteia aos homens de boa vontade /
atentos ao amor do Senhor /
que põs uma aliança amarela /
(anel de noiva virgem) /

no abdómen da abelha /
de mel amarelo /

SUICÍDIO DO POETA RUSSO MAIAKOVSKI


A limitação dos homens /
do amor nas mulheres /

do indivíduo em sociedade /
e mesmo na cultura /
induz ao homem pensar em suicídio /
quando se depara em um mundo tão pobre /

Uma terra medida para topógrafos /
um palco para idiotas e imbecis e estúpidos /
que mentem de si para si /
mais do que usam a mendacidade para se defender /
dos pobres-diabos que comandam a sociedade com dinheiro /

porque sem a casa da moeda são pobres em tudo /
- o dinheiro é que é rico por eles /

Uma vida em tal sociedade /

( e todas são assim ) /
induziria o homem solitário ao suicídio /
tal qual ocorreu com o poeta russo Maiakoviski /
poeta russo de terra bárbara no corpo /

Mas existe o que tira o homem da solidão mais funda /
na poeira que o vento sopra nos campos /
com resquícios de ouro de flores /
decaídas de amor pelo outono velho /

mais antigo que a antiguidade da China e Índia /
Em solitude e solidão absoluta /
pois a companhia de qualquer outro ser humano é solidão multiplicada /
mancha negra Disney na solitude dos arroios com canto no arrulho das pombas /

A companhia do seu maior amor /
ainda é um solidão que traça um enorme diâmetro /
marcando sua distância do ser amado /
ainda que esse ser seja um filho ou filha /
cavaleiro cuja montaria é o corcel branco da aurora /
ou a amazona sobre seu cavalo /
ainda retinto de noite em Nix /

mesmo o ser mais querido /
macula a solitude do eremita /
debruçado no riacho /
com a lua por cima /
olhando amarela /
para os campos de Van Gogh /
e os moinhos de ventos /
pensantes nas noites de ventanias de longo sopro e silvo /

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

REX: O CÃO DE MEU PAI


O ser humano livre /
é aquele ser despojado /
que não se preocupa nem consigo mesmo /
pois está em paz plena /

com o seu universo interior estruturado na saúde completa /

de corpo e alma sãs /
- corpo santo e alma beata /
no nirvana dos santos orientais /
e na saúde despojada de São Francisco de Assis /
ou santo Antônio antes da hidropsia /

O ser humano assim saudável é o santo /
salvo o corpo e o espírito /
com a alma plena de vida /

sem os incômodos e os cuidados /
que a doença traz /

junto com o médico e o monstro /
e seus ademanes /
( o monstro é o conjunto das drogas farmacológicas /
- a farmacopéia do demônio /
e o médico a pobre pessoa que nada sabe sobre o corpo individual /
mas antes sobretudo sobre o corpo da sanguessuga /
ou do corpus aristotelicus da doutrina médica /
ou um abstrato corpo humano inexistente entre os fatos /
meros atos do pensamento sonolento /
dentro do ovo dos sonhos paranóicos de Salvador Dali /
operando o olho e o olhar de Lacan /
ao som formal e pictórico do método crítico-paranóico ) /

Já o ser humano santo ou são /
ou saudável em espírito corpo e alma /
é o santo canonizado pela natureza /
única igreja da vida /
capela da alma santa /

O santo é livre / livre principalmente de si /
pois somos a pior prisão para nós mesmos /
( a pior masmorra e a mais sombria /
está nos nossos porões ) /

O santo anda alheio a si /
e em aparente paradoxo arraigado ao seu interior /
com radical de erva ou árvore frondosa /
enorme abacateiro ou doce cajueiro com os braços abertos em cruz no cerrado /
ou ipê roxo circundando o espaço com suas flores belíssimas /

Em paz com o universo interior /
o homem são volta-se para o mundo exterior /
onde ouve pássaros gorjeando /
e pessoas infelizes pedindo socorro /
( amoroso e feliz ser /
o santo pode se dar ao luxo de cuidar do outro /
pois está resolvido em si ) /

O homem santo se volta para fora de si /

para o mundo exterior /
uma vez que seu interior é um cosmos /

um todo hamônico e melífero /

sem quaisquer laivos de carência /
( Ao homem de verdade /
aquele que atingiu o ápice do seu ser /

galgou o supremo de seu ser /
basta conseguir amealhar o máximo de inteligência /
durante o curso da vida /
bem como o que puder de liberdade /
em uma sociedade de condenados às galés /
que somos todos pobres ou ricos /
sábios ou tolos /
poderosos ou frágeis criaturas sem destino no livro da vida /
e saúde total /
porquanto a saúde é a coroa do rei da vida /
única coroa que vale a pena ostentar /
conquanto com a modéstia suave /
que caracteriza o senhor da vida /
abaixo apenas do Senhor Deus dos Exércitos /
do clemente e misericordioso Allá ) /

O doente é o antípoda do homem santo /
O enfermo de corpo e mente /
se fixa no seu próprio ego /
no pequenino espaço que é o ego /
que nada mais é que um mísero momento no tempo /
porquanto o ego é apenas um pedaço diminuto /
em comparação com o ser /
que abarca o universo inteiro /

por fora e por dentro /
em todas as galáxias interiores e exteriores /
que demandam estrelas e constelações /
e super novas e quuasares e cefeidas /
com a vela padrão na mão /

No santo cabe o universo /
no verso e no anverso /
e ainda sobeja espaço e tempo /
para universo paralelos sem fim /
pois se há algum universo paralelo /
é o universo bolha que crimaos desde crianças /
quando em menino sopramos /
o que é anjo de verdade /

que na infância tudo é mais verdadeiro /

mais real que o espaço e o tempo posterior /
tem um teor de verdade e realidade que está nos sentidos /
como jamais estará depois da cobertura cultural /
a qual é um bolo confeitado que embota tudo /
desfigura e configura os sentidos /
no âmbito dos interesses dos donos da sociedade e da cultura vigente /
que envia ao verdugo ou ao psiquiatra /
quem não anda conforme a marcação do passo pelos grilhões nos pés /

( diapasão social ) /
e a máscara de ferro na face da personagem /
que toma o lugar do homem no anfiteatro /

Tudo o que ocorre na infância /
tem uma sobre-realidade /
(uma supra-realidade em camadas sedimentares ) /
que depois não existe mais /
O cão policial que apareceu lá em casa /
quando eu era uma criança /
Chamando nomes de cães /
meu pai chamou "Rex!" ao animal /
que de pronto atendeu ao nome /
e assim ficou sendo chamado /

Nunca mais houve outro cão mais real /
que este foi presente na minha infância /
o cão que acompanhava meu pai /

nas suas caçadas e pescarias à beira do rio São Francisco /
que nesse corpo líquido /
corpo de água /
não tem como o escabelo dos pés a cidade de Assis /

O cão companheiro de meu pai /
é mais real e realista que o rei /
e que o vocábulo "Rex" do latim /

pois ele vem lá da tenra infância /
da terra no corpo de um menino /
que olha o mundo com os primeiros olhos /
os primeiros ouvidos /
para violinos Stradivarius ou Amatis /
- as primícias /
as primícias que são reservadas ao Senhor Deus do universo! /