domingo, 22 de maio de 2011

FILOSOFIA DE GUSTAVO BUENO, ANIMAL DIVINO, KANT, MARX, KLEE, MAQUIAVEL, MARX...

O conhecimento vem da filosofia, não da ciência, que é saber e não
conhecer. Saber é provar, o saber ou sabedoria constituiu prova ou
provas no mundo empírico, mundo passo pelos sentidos, fenomênico ; já
o ato de conhecer, o ato de conhecimento, só usa o saber na hora da
prova, no
momento-prova, insta pela prova, mas prescinde dela, porquanto o
conhecimento está prenhe no discurso, nas palavras, conceitos,
axiomas, princípio da razão suficiente, etc. É, enfim, o conhecimento
humano, um universo de palavras, de signos e símbolos, frases,
equações, um universo erudito, concernente ao social e, evidentemente,
ao cultural. Os animais sabem mais que os homens, tem uma
inteligência voltada integralmente para o saber, a sabedoria do mundo
: inteligência para a terra, inteligência Gaia, Gaia ciência, diria
Nietzsche.
O doutor é o douto em filosofia; e são poucos: Aristóteles, Kant,
Espinoza, Shopenhauer... que defendem ( ainda!) uma posição ( tese)
originária. Defenderem um ser originário, pois a tese é a posição no
mundo (no topos ou lugar onde se finca o ser ou posição. uma espécie
de território inteligente, da inteligência).
A tese ou posição ou o ser que o homem enquanto filósofo constrói ou
põe no mundo ( tese, por no lugar, topos, topologia, toponímia). A
maioria é doutor
simbólico, tem o título, mas não é douto, mas apenas um papagaio a
repetir o que colocou ( pôs o ser, a tese, a posição única, originária
em si) o douto ( filósofo) no mundo.Ser douto é um fato resultando de
inúmeros atos individuais, do somatório final desses atos. Não há
outro douto que não seja o filósofo ; há um sábio natural, que é uma
espécie de "douto" natural e cultural, que é o poeta, uma espécie
vegetal ou vegetativa do filósofo; o poeta é um ser de saber e
conhecer em mixórdia, o iniciador do discurso e da filosofia sob as
fomas da mitologia e religião, que é o mesmo, a lenda, a fábula, a
sátira, enfim, um filósofo poeta ou um filósofo artista.
Todos sabem, mas poucos conhecem ou descobrem o conhecimento ou sequer
"sabem" o que é o conhecimento que, quando aplicado pelas técnicas, se
mescla ao saber, ato humano e animal, ato centauro, ato de centauro ou
assim bem simbolizado, alegorizado, fabulado, mitologizado. O
conhecimento é apanágio o homem; o animal possui o saber, usufrui da
sabedoria do mundo; aliás, essa inteligência animal é superior, nos
sentidos, que é a do homem, cujos sentidos forma mitigados no ato de
construir o conhecimento, que é metafísico, anterior á própria
ciência, é filosofia, em seus vários esgalhos como a ontologia, ética,
noética, poética, epistemologia, teologia, etc. O saber4 ou sabedoria
( lamber o sal ) é universo do animal, que também convive no corpo
anatômico e fisiológico do homem; porém, o conhecimento é ato de
centauro : ato na mixórdia entre o homem e o animal que o forma
fisicamente. O homem, que ele é, no ser alienado do fil´sofo, forma-o
metafisicamente, filosoficamente, a la grega, pois não há qualquer
filosofia fora da tradição grega que chega a Kant e Marx e continua
até Gustavo Bueno em seu "Animal Divino", que Bueno é um animal
divino. Simploké!
O conhecimento avança lentamente arraigado na tradição dos mestres,
sábios que repassam o conhecimento ou filosofia ou metafísica dos seus
mestres, os doutos, os filósofos, sempre à moda grega, pois não há
outra maneira ( não há uma filosofia chinesa, como costumam
inadvertidamente dizer os papalvos : um mestre passa ao
discípulo um conhecimento ( a tese, o ser ) que, ao se tornar douto, e
não meramente mestre ( o mestre apenas repassa, repete, não cria o
ser, embora na arte chamam equivocadamente de mestre os doutos
criadores, os filósofos da arte como Picasso, Kandinsky, Paul Klee,
Miró, Rodin, Mozart, etc.).
A filosofia só trata e conhece a essência, pois a filosofia é o
conhecimento, e o conhecimento do homem é o conhecer a essência, que é
o ser que o homem conhece : o ser é o saber do homem, mas,
paradoxalmente, não é saber, mas conhecimento. A filosofia é o
conhecimento; o conhecimento é conhecimento de essência, ou seja, do
ser, do objeto posto ou lançado no mundo lá fora pelo homem, que o
lança pelos sentidos como um objeto e o capta pelos sentidos como
outro objeto; posteriormente põe (ser) interiormente um terceiro
objeto (outro ser, ser interno ou interior, se racional, razão,
inteligência).
Todo saber da ciência e sua mão, a técnica ou tecnologia ( que vem em
linguagem matemática, algébrica) é conhecimento filosófico, porquanto
não há conhecimento científico, mas saber científico, uma vez que o
conhecimento é originário na filosofia, não nas artes o fazeres, que
utilizam o conhecimento.
Fazeres estão vinculados intimamente aos saberes e profundamente ao
conhecimento. Por isso chamam aos artistas de mestres e não de doutos,
porque os doutos mexem mais com o discurso, onde está o ser mais
visível, por assim dizer, enquanto nas artes há mais o fazer, o ato
nem discurso, com o conhecimento por função, mas com a ação ou o ato
manifesto. Em geral, os artistas e técnicos ( engenheiros)
aplicam o conhecimento provado pelo saber, depois que os doutos ou
filósofos profundos criam a possibilidade do conhecimento, ou põem o
conhecimento no ser posto, no ser, sendo o ser mera invenção humana,
invenção da filosofia para dar base ao conhecimento, dar-lhe um
princípio de razão suficiente para conhecer, jamais para saber, que o
saber encontra a coisa nos sentidos, enquanto o conhecimento
paradoxalmente ignora a coisa e cria em sue lugar um instrumento que
conceitua e capta a coisa, que é o objeto, objeto de ciência ou de
concepção da coisa, que Kant e Spinoza denominam coisa em si, ou seja,
substância livre, "causa sui" ( causa de si, auto-causadora ) , na
metafísica fundamental de Spinoza.
O ser é o discurso com sujeito e objeto, ou predicado, sendo ambos,
paradoxalmente, objetos e sujeitos, pois o que os separa é a tensão;
justo a tensão de que são feitos : sujeito e objeto é matéria ou
energia ( ambas) que possibilitam-se pela tensão e que existem ou são
essência ( ser do homem, ser posto pelo homem filósofo no mundo
natural e social).
A tensão faz tudo que conhecemos e sabemos e,
portanto, está nos dois pólos, que dividimos para entender ou dominar,
conforme seja Maquiavel, o filosofo aplicado pelo saber politico, ou
Aristóteles, o filósofo para o conhecimento.
O ser, a filosofia e o discurso são imagináveis divisões do mesmo ato,
que se faz : fato, ato a ato.

sábado, 21 de maio de 2011

REFERENCIAL : POLÍTICA, FILOSOFIA,POESIA,FÍSICA, RELIGIÃO...

Para se escrever é mister sempre observar o referencial, tanto de quem
emite quanto de quem recebe. São duplas leituras e escrituras
concomitantes.Ler é escrever no cérebro ou na "palma" da mente.
O ser do referencial tem uma posição que mitiga seu campo observável,
cria contexto, tece o circundante com os sentidos, com empirismo ou
saber, o que não ocorre com o leitor, que está em outra posição
referencial, outra topologia que cria outra lógica, tecidos,
histórias, idéias, limites observáveis,etc., enfim, o receptor do
emissor já recebe ou percebe uma mensagem esfriada pela passagem, com
perda de calor, além da perda infinita da transferência de uma posição que
faz o ser para outra posição que faz outro ser ou criador, inventor de
ser, que é o homem, enquanto indivíduo, óbvio.
Quem está na posição de poder pensa e age diametralmente diferente de
quem está em posição de submissão. Até a postura do corpo anatômico e
fisiológico é diverso. A postura submissa do animal beta assinala o
alfa. Os referenciais no estado sempre está nos dois grupos relativos: o
grupo submisso e o comandante.Um mente para o outro.Um tenta tomar o
máximo possível do outro e dar o mínimo, consequentemente. A bondade
fica par a religião, um meio ou um terceiro estado que busca atenuar a
luta surda dos dois grupos através da filosofia : falares sobre a
poesia do ser. A filosofia ou ontologia é um perpétuo falar ou cantar a
poesia ado ser, ou seja, do que inventa o homem como ser : os objetos,
o ser humano, os animais, a fauna , a flora, o ser supremo, etc., são
todas invenções ou ser criado pelo homem enquanto indivíduo-grupo.
Um estado humano, em sua análise zoológica, não diverge demais,
excepto pro símbolos e signos, de uma alcatéia. Somente a estupidez,
que faz do ser humano mais inteligente e erudito um completo tolo, mas
que, no entanto, é essencial à vida em comunidade e, principalmente,
no comando,
pode ocasionar o benefício de construir um estado, pois o que passa do
indivíduo e começa a ser coletivo muda muito, se torna falso
necessariamente, sendo o estado um grupo de indivíduo mentindo para
outra : uma guerra de mentiras em plena paz.
O ser humano se torna
estúpido quando leis, decretos, normas, regras, dinheiro, poder,
status, ou qualquer outra coisa, se torna mais importante para ele que
o outro ser humano; inobstante, na política, ou estratégia de
prevalência sobre o grupo, a mentira é fundamental armamento
bélico-pacífico. A hipocrisia ou atuação do ator político é essencial
para manter a hegemonia de um indivíduo no grupo e do grupo sobre os
demais grupos de poder ou no poder.
A mentira é a estratégia
usada em política. Estratégia é guerra, mormente em tempo de suposta
paz. Política é guerra em tempo de paz, a única forma humana e
zoológica de manter a paz nas relações.
Antes o estado ocidental era Roma imperial, um estado de Direito e de
fato, simultaneamente; talvez o único no ocidente a ser de Direito e
de fato; posteriormente a igreja, outro estado de Direito ( canônico,
entenda-se!) e de fato, ou seja, na qual o estado é soberano do
homem, soberano absoluto, como o imperador Nero, por exemplo, ou quase
assim, e o homem ( ou padre, frade, na igreja-estado) um servo,
cidadão ou escravo, conforme a norma que o incide sobre sua condição;
a igreja, copiando Roma imperial, se transformou em estado : o
Vaticano.O mais velho estado que continua de pé; paulatinamente os
reis medievais, vendo a força da igreja, tornaram-se estados; depois,
com o advento do capitalismo, durante a Revolução industrial e
Francesa, que são ações coletivas complementares da história, nos atos
da história, eclodiu o estado de Direito, estado laico, contraparte
do estado teocrático ; esta forma de estado, que o brasil ainda não
conhece ou concebe, o estado laico, veio na balada das duas grandes
revoluções européias : a Revolução industrial, a grande revolução do
intelecto, da técnica; ( revolução para o fato no estado ou o estado
de fato e do artefato industrial) e a revolução Francesa ( esta para o
artefato do direito, ou arcabouço dos Direitos Humanos, a grande
revolução cultural, humanística; o humanismo vem dos iluministas
anteriores e coevos da Revolução Francesa que, conquanto ingênuos
sonhadores, lograram tornar suportáveis ou toleráveis as relações
entre os bichos-humanos, mormente quando estes bichos ferozes e mais
perigosos gozam do poder, força extra ). Ambos convivem até hoje no
ocidente, são parte no diálogo da cultura.
O estado atual é um estado que era de um estado de Direito, ou ao
mesmos sonhada tal ser, mas que hoje se esfacela : não visa ser mais
estado de Direito, mas empresa. Trata as gentes ( povo) como
empregados e não co-partícipes dos Direitos, embora uns de fato ( o
grupo de comando ) e outros de Direito ou ficticiamente ou
simbolicamente : o grupo submisso, que aceita essa paz porque não pode
resistir a uma guerra encetada pelo batalhões de choque.Vide os árabes
no Oriente médio : Egito, Séria, Líbia,etc. Ou o Brasil em paz e Minas
Gerais idem.
No estado de Minas Gerais, meu referencial, observo, submisso, que os
últimos governos estão cada vez mais tratando o Direito como lixo,
mormente o direito adquirido, que foi "adquirido" para permitir
benesses a alguns servidores que gozavam do carinho de membros do
grupo em poder. Como esses governos passaram ( tudo passa...) ficou o
lixo : esses direito adquirido assim.
Todo Direito é adquirido assim : pai beneficia filho, amante à
amásia....e com isso todos ganham com essa benesse até o tempo em que
ela cessa, que é o tempo em que os beneficiados já foram beneficiados e
os que foram de carno também porque o Direito tem esse 'lixo " ( para
o grupo de poder ) de ser genérico: não pode ser só para as
bem-amadas. Essas caridades acabam por virar um lixo para o estado e
outros governos que herdam esse monturo.
Então, ao novo governo, só resta usar de estratégias para destruir, de
forma indireta, o direito adquirido, ou lixo do direito, escrevendo
leis e decretos prejudicais à esse direito-lixo, mentindo pela voz dos
secretários( sectários ) do governo, que são remunerados para mentir
elegantemente, com mestrado, doutorado, eloquência helênica, retórica
latina, enfim, com uma larga cara-de-pau e perna-de-pau de piratas do
Caribe. Aliás, são pitas legais, esses governos : governos corsários,
corsos de Byron.
Acabou o estado de Direito; era um mito, que aguentou um tempo,
enganou por um bom tempo, mas nada mais que outro mito que se
acabou, outro mito que descobrimos que era uma mentira para alguns
grupos de poder galgar o poder; acabou, assim como um dia acaba o
mito do amor entre os amantes; todos somos ex-amantes, novos-amantes,
novos-ricos...velhos-ricos.
Foi-se o romantismo, a época do romantismo
e dos cavaleiros andantes medievos. Dom Quixote de la Mancha, Marx,
Jesus, os partidos operários que iriam salvar o mundo com a ditadura
do proletariado, tudo acabou. Hoje é a empresa de Governo, o governo
postado como empresa, com seus gerentes e seus empregados domésticos e
domesticados até o nível de pós-doutorado; o estado como mais uma
empresa gigante entre outras grandes corporações, com empresários
maquiados como se fossem dirigentes ou representantes dos interesses
populares, quando na verdade são os caçadores do povo como escravos,
servos da gleba, da pequena gleba que lhes oferecem em troca da
exploração capitalista máxima do trabalho escravo qualificado.
O estado hoje, sendo uma empresa que lucra com as demais empresas, por
meio dos impostos, que são revertidos em investimentos para
incrementar a economia, quase único objetivo, pois educação e cultura,
se não for para aprimorar a mão--de-obra, para melhorar a qualidade
dos produtos e serviços da empresa, não serve a outra função, fato
esse corriqueiro no Brasil, país emergente, estado que emerge em tempo
de estado-empresa, ao invés de tempo de estado de Direito ( nesse
tempo o Brasil não era um estado de Direito algum para o povo, mas
estado servil ao império de época, até que veio Lula e rompeu essa
mentalidade, que já era contexto e por isso foi aceita e ele, lula,
aceito; caso contrário teria sido trucidado).
O estado-empresa atual investe em suas "mercadorias", a saber ; os
serviços que presta às
outras empresas ( o estado-empresa é uma empresa que presta serviços :
faz leis, decretos, regulamenta a economia, põe a justiça para dirigir
os conflitos entre empresas e outras pessoas hoje menos importantes: as
pessoas físicas, etc.) e recebe ou é pago por esses serviços com
tributos, os quias retornam á economia e, concomitantemente, ás
empresas. o povo fica pedindo esmola, favores dos governos, cuja
função anti-Robin Hood é tirar dinheiro, por várias formas em lei,
( digo tirar, mas não posso dizer roubar, furtar...) do povo pobre e dar
aos ricos. Evidente que os atores deste drama não fazem essa leitura,
apenas representam.
O texto sempre é lido sem o contexto; ao ator no ato é impossível
representar, ler o contexto. O contexto para quem está em ação é
ilegível, inintelível, ou tem a inteligência da ação, que mobiliza (
imobiliza) o pensamento analítico, prioriza a noética, que não é
sonho de práxis de Marx e outros utopistas. Jamais sabemos o que
estamos fazendo ( "senhor, perdoa-os, porque não sabem o que fazem!":
como essa frase tão dramática e lamurienta diz a verdade!); quem age
não sabe o que faz, perde ação no cérebro que se volta para os
músculos.Quem contempla analisa, pensa.E contemplar é sempre olhar o
outro, o que é mais fácil, é um referencial-alvo. E o referencial não
é somente o referencial da física; são vários os tipos de referencias,
assim como várias as grandezas : vetoriais, escalares...
E os árabes porfiando, morrendo por esse estado de coisas...que
ironia! Lembra sempre os cristãos em Roma, a morrer gloriosamente
para que o Papa Bento tivesse uma vida gloriosa de imperador do mundo!
e a igreja se transformasse já há séculos num estado-empresa, antes que
os demais estados tivessem percebido isso, que hoje percebem até em
Minas Gerais, terras de luares nada muares. Mas o que será do povo?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

CORPO DE CENTAURO, FAUNO EM ERAS GEOLÓGICAS LÓGICAS

Um dia a água /
que é a alma da matéria viva /
fora do peixe cristão no latim /
deixará de passar pelo corpo /
de nadar pelo corpo humano /
desenhando fisiologias e anatomias /
ao carrear energia /
em moléculas de pedra /
que é a forma de inteligência dos sais minerais /
quando em pó ou pedras minimizadas /
- rochas moleculares /
metálicas ou não metálicas /
boiando no líquido do mar vermelho /
do mar vermelho com hemoglobina /
mar de eritrócitos /
mar sanguíneo mar! /
de onde vem o amar /
que é todo o mar /
e movimento de mar /
e coração escarlate /
que late em língua espanhola! /
mas não na cor do latim /
em cor una ou "cor unum" /
( Coração arrítmico /
desperta paul /
com água nos tecidos /
nos interstícios dos tecidos ) /

Uma noite a água dentro do corpo enquadrado /
na fisiologia e anatomia de uma mulher na obra de Joan Miró /
- mulher pintada e plantada sem planta vegetal /
fora da estufa mental do artista /
a pensar a mulher com a paixão que move o artista /
a arte e a caça e a guerra /
assim algo meio-bruxa negra /
meio-vampira ou mulher fatal /
meio-morte com a lua falciforme /
erguida no céu para corujas e mochos /
- numa noite dessas pintadas por Joan Miró /
em obra poética /
a água não seguirá o curso da torrente de Cedron /
se desviará do álveo do rio ou riacho espumante /
abandonando o corpo humano ou animal /
o corpo anatômico e fisiológico /
- o corpo mítico do centauro /
corpo de fauno /
o ser dado em latim /
para estudo da fauna /

Um dia de sol chovendo no girassol /
que vai rodando e rondando o tempo e o espaço lato /
e também o espaço e tempo latente /
iminente /
ou uma noite de lua errante pela madrugada /
toda orvalhada e cantada a galope no som de galo negro /
embuçado dentro da noite sombria e fria para algia /
qualquer dia ou noite /
a água perderá o caminho para dentro do corpo /
ou será um paul dentro do corpo humano /
quando então o corpo humano /
que já dormira eras geológicas /
antes de vir a dormitar no ventre materno /
no sono do embrião e feto que se segue /
- um dia ou noite fechará todos os olhos /
no sono geológico /
- sono com tempo geológico /

Água de sono /
é paul para garças e saracuras oníricas /
originárias da matéria onírica das pernaltas /

sábado, 14 de maio de 2011

FILOSOFIA DE GUSTAVO BUENO, ANIMAL DIVINO, KANT, MARX, KLEE, MAQUIAVEL, MARX...

O conhecimento vem da filosofia, não da ciência, que é saber e não
conhecer. Saber é provar, o saber ou sabedoria constituiu prova ou
provas no mundo empírico, mundo passo pelos sentidos, fenomênico ; já
o ato de conhecer, o ato de conhecimento, só usa o saber na hora da
prova, no
momento-prova, insta pela prova, mas prescinde dela, porquanto o
conhecimento está prenhe no discurso, nas palavras, conceitos,
axiomas, princípio da razão suficiente, etc. É, enfim, o conhecimento
humano, um universo de palavras, de signos e símbolos, frases,
equações, um universo erudito, concernente ao social e, evidentemente,
ao cultural. Os animais sabem mais que os homens, tem uma
inteligência voltada integralmente para o saber, a sabedoria do mundo
: inteligência para a terra, inteligência Gaia, Gaia ciência, diria
Nietzsche.
O doutor é o douto em filosofia; e são poucos: Aristóteles, Kant,
Espinoza, Shopenhauer... que defendem ( ainda!) uma posição ( tese)
originária. Defenderem um ser originário, pois a tese é a posição no
mundo (no topos ou lugar onde se finca o ser ou posição. uma espécie
de território inteligente, da inteligência).
A tese ou posição ou o ser que o homem enquanto filósofo constrói ou
põe no mundo ( tese, por no lugar, topos, topologia, toponímia). A
maioria é doutor
simbólico, tem o título, mas não é douto, mas apenas um papagaio a
repetir o que colocou ( pôs o ser, a tese, a posição única, originária
em si) o douto ( filósofo) no mundo.Ser douto é um fato resultando de
inúmeros atos individuais, do somatório final desses atos. Não há
outro douto que não seja o filósofo ; há um sábio natural, que é uma
espécie de "douto" natural e cultural, que é o poeta, uma espécie
vegetal ou vegetativa do filósofo; o poeta é um ser de saber e
conhecer em mixórdia, o iniciador do discurso e da filosofia sob as
fomas da mitologia e religião, que é o mesmo, a lenda, a fábula, a
sátira, enfim, um filósofo poeta ou um filósofo artista.
Todos sabem, mas poucos conhecem ou descobrem o conhecimento ou sequer
"sabem" o que é o conhecimento que, quando aplicado pelas técnicas, se
mescla ao saber, ato humano e animal, ato centauro, ato de centauro ou
assim bem simbolizado, alegorizado, fabulado, mitologizado. O
conhecimento é apanágio o homem; o animal possui o saber, usufrui da
sabedoria do mundo; aliás, essa inteligência animal é superior, nos
sentidos, que é a do homem, cujos sentidos forma mitigados no ato de
construir o conhecimento, que é metafísico, anterior á própria
ciência, é filosofia, em seus vários esgalhos como a ontologia, ética,
noética, poética, epistemologia, teologia, etc. O saber4 ou sabedoria
( lamber o sal ) é universo do animal, que também convive no corpo
anatômico e fisiológico do homem; porém, o conhecimento é ato de
centauro : ato na mixórdia entre o homem e o animal que o forma
fisicamente. O homem, que ele é, no ser alienado do fil´sofo, forma-o
metafisicamente, filosoficamente, a la grega, pois não há qualquer
filosofia fora da tradição grega que chega a Kant e Marx e continua
até Gustavo Bueno em seu "Animal Divino", que Bueno é um animal
divino. Simploké!
O conhecimento avança lentamente arraigado na tradição dos mestres,
sábios que repassam o conhecimento ou filosofia ou metafísica dos seus
mestres, os doutos, os filósofos, sempre à moda grega, pois não há
outra maneira ( não há uma filosofia chinesa, como costumam
inadvertidamente dizer os papalvos : um mestre passa ao
discípulo um conhecimento ( a tese, o ser ) que, ao se tornar douto, e
não meramente mestre ( o mestre apenas repassa, repete, não cria o
ser, embora na arte chamam equivocadamente de mestre os doutos
criadores, os filósofos da arte como Picasso, Kandinsky, Paul Klee,
Miró, Rodin, Mozart, etc.).
A filosofia só trata e conhece a essência, pois a filosofia é o
conhecimento, e o conhecimento do homem é o conhecer a essência, que é
o ser que o homem conhece : o ser é o saber do homem, mas,
paradoxalmente, não é saber, mas conhecimento. A filosofia é o
conhecimento; o conhecimento é conhecimento de essência, ou seja, do
ser, do objeto posto ou lançado no mundo lá fora pelo homem, que o
lança pelos sentidos como um objeto e o capta pelos sentidos como
outro objeto; posteriormente põe (ser) interiormente um terceiro
objeto (outro ser, ser interno ou interior, se racional, razão,
inteligência).
Todo saber da ciência e sua mão, a técnica ou tecnologia ( que vem em
linguagem matemática, algébrica) é conhecimento filosófico, porquanto
não há conhecimento científico, mas saber científico, uma vez que o
conhecimento é originário na filosofia, não nas artes o fazeres, que
utilizam o conhecimento.
Fazeres estão vinculados intimamente aos saberes e profundamente ao
conhecimento. Por isso chamam aos artistas de mestres e não de doutos,
porque os doutos mexem mais com o discurso, onde está o ser mais
visível, por assim dizer, enquanto nas artes há mais o fazer, o ato
nem discurso, com o conhecimento por função, mas com a ação ou o ato
manifesto. Em geral, os artistas e técnicos ( engenheiros)
aplicam o conhecimento provado pelo saber, depois que os doutos ou
filósofos profundos criam a possibilidade do conhecimento, ou põem o
conhecimento no ser posto, no ser, sendo o ser mera invenção humana,
invenção da filosofia para dar base ao conhecimento, dar-lhe um
princípio de razão suficiente para conhecer, jamais para saber, que o
saber encontra a coisa nos sentidos, enquanto o conhecimento
paradoxalmente ignora a coisa e cria em sue lugar um instrumento que
conceitua e capta a coisa, que é o objeto. objeto de ciência ou de
concepção da coisa, que Kant e Spinoza denominam coisa em si, ou seja,
substância livre, "causa sui" ( causa de si, auto-causadora ) , na
metafísica fundamental de Spinoza.
O ser é o discurso com sujeito e objeto, ou predicado, sendo ambos,
paradoxalmente, objetos e sujeitos, pois o que os separa é a tensão;
justo a tensão de que são feitos : sujeito e objeto é matéria ou
energia ( ambas) que possibilitam-se pela tensão e que existem ou são
essência ( ser do homem, ser posto pelo homem filósofo no mundo
natural e social).
A tensão faz tudo que conhecemos e sabemos e,
portanto, está nos dois pólos, que dividimos para entender ou dominar,
conforme seja Maquiavel, o filosofo aplicado pelo saber politico, ou
Aristóteles, o filósofo para o conhecimento.
O ser, a filosofia e o discurso são imagináveis divisões do mesmo ato,
que se faz : fato, ato a ato.

terça-feira, 10 de maio de 2011

NEFELIBATAs : MANOEL BARROS, ADÉLIA PRADO, LEDO IVO, KLEE, RODIN ,KAFKA...

Agua entra por um paul /
e sai por outro paul /
- água em paul /
é saracura ou jacaré /
ou ave do pantanal mato grossense /
- é um imenso e esparramado tuiuiui /
deitado no ato de serpentear /
por entre terras de todo modo /
- modo de rocha ou barranco /
ou ervas no caminho /
a caminho do tronco do ipê roxo /
ou das linas que trepam feito serpentes /

Água ronda e rói moinho /
move moinho /
move moleiros /
move-se e se arrasta no vento /
- no vento em popa /
a bombardo ou estibordo /
barlavento ou sotavento /
na palmeira que balança o vento /
em suas palmas verdejantes /
de brilho verde de sol /
e não verde de buritis /

Água sopra moinhos /
- moinhos de vento /
de vento em popa /
ou aproando para a tamareira /
o coqueiro dançante /
- louco dançarino em frenesi /
enlouquecido pelo vento ensandecido! /

O sol puxa a água para cima /
leva-a ao cimo /
até a nuvem /
Oh! nefelibata! /

Nefelibata água /
que pisa nas nuvens /
anda e desanda nas nuvens /
"vive" nas nuvens /
com pés descalços /
da carmelita descalça /
Santa Terezinha do Menino Jesus /
com pés enxutos! /
e desce num aguaceiro /
pela perna da água pernalta /
da ave pernalta que levanta vôo /
- a pernalta ave /
denominada saracura /
a saracura do brejo /
amante da lagoa /
em perene solitude no paul /
deusa do paul /
eremita de paul /
descalça no paul /
não carmelita /
mas ser mais livre /
que o vento quanto bate na palma da palmeira /
ou no moinho de vento /
que sabe a Van Gogh /
e sabe a Monet ) /

A água sai por baixo /
escapa da mão /
entra na erva /
- erva adentro vai /
é seu destino /
dentre outros destinos /
a caminhar no mel /
no anel do mel /
em gotas milimétricas /
escorrendo pelo abdômen da abelha /
( Arrostando o destino das águas /
a me mover por dentro e por fora /
vou sabedor de que talvez ninguém me espere /
no marco zero em que a lua deixou o palor /
do luar em noite de dama-da-noite /
espargindo fragrância /
junto aos jasmins ou bogaris ... /
no candor do alvor /
de barra da alva /
flor de laranjeira em aleia /
alameda leda /
e estrela da manhã inteira /
- estrela do orvalho /
sentenciado madrugada fora /
até galo na aurora ) /

Água que entra pelo pé da erva /
ou voa no ar /
flutua /
flui /
fluente no afluente /
no riacho que acho ancho /
na uva que dá em cacho /
na umidade do cacho /
e nos cachos encaracolados da cachoeira /
- nos cachos espumantes da cachoeira /
rolante cachoeira na torrente /
tonante tonitruante e sempre avante! /
a se esgueirar entre pedras /
- entre as pedras cinzas /
ou acinzentadas pelo lamber da tinta das águas passadas /
nas línguas das águas pretéritas /
- águas que movem moinhos /
na água e no vento /
moinhos de água e vento /
e seus pássaros moleiros /
mandriões impávidos na procela /
que arranca o mar do fundamento /
e despedaça o brigue à deriva /
na vela branca pintalgando a paz /
- a paz branca de medo /
indo para o fundo do mar /
soçobrado o brigue /
em "Pax romana" /
a pior paz /
- paz com pá de cal na cova rasa /
do soldado vivo!!! /

Água entra no líquido /
invade o espaço gasoso /
evola no ar /
navega no mar /
se fecha no gelo hermético /
na mais sólida geleira /
desce na escada branca da geada /
a passo branco e brando de neve /
e gira em ciclo /
- o completo ciclo da água /
que toma todos os estados /
como se fosse um general do Império Romano em campanha /
a conquistar a Terra /
e com a águia tomar o céu /
que água corre em corpo de águia /
e da harpia que pia pequenina /
com o bico aberto no ninho /

Água tem estado por aí e aqui /
no estado do czar /
santa Rússia de estepes e tundras /
mujiques e cossacos /
Outrossim no estado sólido do "iceberg" /
entre o calor que a derrete /
ou ferve-a até que evole pelos caminhos espiralados no ar /
e o frio que torna sólido o seu estado /
dos gases que sopram o espírito na letra do homem /
quais anjos nobres a soprar trombetas /
anunciando o rei e a parusia /

Água a rumorejar na fonte rumorejante /
que rumoreja morro abaixo /
descendo o monte em cascatas saltitantes /
à moda das cabras montesas /
a nadar no peixe... /
a envolver o peixe /
por dentro e por fora /
nos dois mundos do peixe : /
o mundo de água por fora /
e o mundo de água por dentro /
pois o peixe nada dentro da água /
mas a água nada dentro do peixe /
e também salta o que salta o peixe /
salta junto ao peixe /
dourado ao sol no anzol /
- do peixe que nada é /
e não nada mais na piscina /
se não tem a água /
que lhe nada por dentro /
e a água em que ele nada fora /
água tônica /
água da vida em abundância /
porquanto sem água /
o peixe volta ao nada /
nada para o nada célere /
que a água o conserva em vida /
é sua fonte de vida /
e é a vida abundante /
de que fala Jesus Cristo /
e com que batiza João, o Batista /
profeta de alto coturno /
Outrossim a água é "insetivante" para insetos avante na chuva /
a qual enceta o espetáculo do saltimbanco Moisés bíblico /
porquanto sem água o corpo pára /
- pára e queda!!! /
sem pára-queda /
( a água só é pára-queda na chuva ) /
mesmo porque a água que resta /
em corpo de cadáver /
está quase seca e estagnada /
apenas cumprindo a função de chamar a vida /
que então atende com batalhões /
de vermes e bactérias devoradoras de tecidos mortos /
na invasão das legiões romanas naturais /
a atacar corpos mortos /
e o peixe sem água é peixe sem vida /
ou peixe sem alma /
se fosse cristão /
como o símbolo /
( Sem água o peixe pagão volta ao nada /
- nada no nada /
retorna ao símbolo do peixe /
na parábola do milagre /
porque sem água o corpo perece /
falece ou entra em falência /
uma vez que a água restante /
vai para a secante /
da vida tangente /
nos senos e co-senos da desidratação /
em trigonometria sem oração /
que matéria viva /
é torrente de água viva /
corrente na cachoeira /
e dentro das guelras do peixe em nado /
que vivo está em pleno exercício do nado /
e morto do nada/
sem alma para animar /
- o animal da água /
Todavia todos somos peixes : /
Manoel de Barros /
o João-de-Barro /
( a água vive no "peixe" do João-de-barro /
no ser písceo que nada dentro do João-de-barro /
pássaro com água /
- que pássaro com água é ave viva /
e ave viva é água viva! ) /
outrossim Adélia Prado /
( sonho de prado seria flor?! /
sob luar no orvalho a cantar /
o gotejar da noite escura /
no escuro impuro ) /
e também Ledo Ivo /
ledo na madrugada de rocio cantante e silente /
antípoda de antípoda /
antífona de antífona /
assim como sou e o foi minha avó /
enquanto em natação por dentro e por fora /
- nadadora ou peixe dentro de si /
e fora de si! /
ó bem-ti-vi-do-brejo /
inexistente na ornitologia!) /

Água é plástica /
artista plástica /
mais plástica que Joan Miró ou Paul Klee /
Michelângelo Buonarotti ou Rodin /
Rainer Maria Rilke ou Kafka /
- mais plástica que o plástico /
- o plástico humano /
produzido pela indústria do homem /
industrioso ser /
cuja indústria produz um silêncio de pedra /
originário de um reino geológico /
que era em Eras /
de um passado enorme /
quase enterrado no eterno /
ou nas geleiras das Eras Glaciais /

Água é inteligente /
inteligência nata /
ou inteligência em ato /
nata da inteligência /
nata da inteligência /
inteligência da vida /
viva inteligência /
( ou seria fato /
agora que escrevo /
e quando a água escreve na areia /
e na rocha e nos corpos por dentro /
abrindo o livros dos genes /
o livro do Gênesis de dentro?!/
Ou seria fato /
algo posterior ao ato /
ato passado /
que não é mais ato /
mas sim fato /
pois ato é presente /
presença no ato /
do teatro da vida /
quando a escrevo /
ponha-a em história /
ponho água na história /
nesta versificada história da água?!) /

Água que é água /
sabe tudo de geometrias /
álgebras e matemáticas /
aritméticas e algoritmos /
arabescos e motivos florais /
axiomas e escólios /
corolários e razão suficiente /
ser e tempo e espaço /
e ritmos mosaicos em Mozart /
- Mozarts e mosaicos ritmos /
logaritmos /

Água mensura terra /
denuncia ondulações na terra e na água /
anuncia ou enuncia vento /
sopro de vento angélico /
( antes gélido que angélico!/
para ser bem cínico filósofo /
apos o cinismo virar cristianismo /
e depois Direito romano /
que é todo o Direito /
que sobrou para os povos /
- míseros povos! ) /
´´agua demonstra a gravidade /
e a escrita do relógio do sol em raios /
a mão do sol com calor /
tecendo a história da vida /
e da arte que o sol fez passar por cada reentrância do solo /
nos desvãos que ficam em ângulos /
cavados no chão /
em senos e co-senos /
nos buracos que desnivelam o chão /
que esteja calçado por cerâmica /
ou por cimento grosso /
a grosso modo posto /

Água, agua, água...: /
- água de dar sede ao pote! /
ao pote de barro de minha avó "mariinha'"/
de um minúsculo "m" no apelido /
mas um "m" que ponho no lugar do "n" de álgebra /
- de hábito de álgebra e arabesco de pura beleza /
no coração árabe que estava escrito no Corão /
- no coração da minha avó /
mulher da mais doce safra /
outrossim escrita estava ela /
na sura ' As Mulheres" /
do magnífico Alcorão /
livro santo do profeta /
escrito de oitiva /
- ouvindo a voz do anjo de Alá! /

segunda-feira, 2 de maio de 2011

RUMOREJAR POESIA COM POEMAS DE LEDO IVO, MANOEL BARROS, QUINTANA, DOM QUIXOTE, ROUSSEAU, VAN GOGH, FREUD, MAQUIAVEL, MARX...

Rumoreja uma manhã anã branca /
branca de neve anã e malsã /
no afã de rumorejar /
fazendo a travessia em contraponto /
do trinar em garganta de ledo pássaro /
ledo cantor /
- cantor do candor /
encontradiço em Ledo Ivo /
esquivo vivo ledo e Ivo /
sem motivo floral /
porém ledo cantor do candor /
- de um candor quedo e mudo /
antes da poesia falar /
fazendo o canto cantar /
mesmo no silente escrever /
cantante escrevinhando em vinheta a voz da cachoeira /
e do que há lá na cachoeira /
cachoeira de longos cabelos encaracolados /
no ritmar das ondas espumantes /
- cachoeira de pó onde está o aedo /
em geóglifos e hieroglifos escrito /
concomitantemente escrito na areia /
do tempo que conta uma história para a ampulheta /
nos vincos na areia alvacenta /
e geoglifado no califado da água /
contando na clepsidra /
outra estória para secar clepsidra /
na água a bramir na torrente /
aonde o corpo do poeta foi também /
deixar seus geóglifos /
escritos esparsos em poemas esparsos /
- poemas esparsos pelos sais minerais /
espaços de areia ou terra na água /
flutuantes terras aquáticas /
- que é a areia na água! /
flutuando no fluido fluente fluminense /
- fluvial alvoraçar de líquido para liquens /
lídia litografia lida em monólito /
em estela d'água /

Tomemos um gole da água da clepsidra /
para batizar a terra /
rumorejar poesia ou poemas /
com a mão do profeta Batista /
o João Batista em corpo de João-de-Barro /
para, destarte, criar um novo Adão /
soprar-lhe um arcanjo pelo nariz /
porém não com o sopro de um deus /
mas apenas o sopro de um homem /
que move moinhos /
- move moinhos de vento por Holanda /
e por Van Gogh e Dom Quixote em suas pás /
ao vento que ama a palmeira altaneira /
à beira da altura do céu /
Criemos outro homem /
novo Adão e Nova Jerusalém /
e Nova Nova York /
pois o ser humano que Deus criou /
foi malcriado /
desde pequenino /
e não dava para torcer-lhe o pepino /
desde pequenino! /
uma vez que ele se perdeu e ficou mau /
serviu antes ao mal e aos desideratos de Eva /
aos desejos luxuriosos de Lilith /
sua sequiosa amante /
sempre a gemer com um violino /
tocante violino do violinista azul /
e do violinista verde /
dois poetas ébrios /
fugidos dos quadros de Chagall /
onde estavam aprisionados /
entre o céu e a terra /
no espaço que medeia a lua e as ervas /
- as ervas nos baixios /

Tomemos o barro do João-de-Barro /
ou Manoel ou ainda João, o Batista /
para recriar ou inventar o homem /
Escolhamos um sacerdote /
durante as festividades da páscoa judaica ou cristã /
trajemo-lo com uma túnica /
dos tempos de Ló /
ou que evoque a túnica inconsútil de Cristo /
e outrossim dos primeiros apóstolos /
realizando, dessarte, um exercício mnemônico /
de forma que se lembre sempre o povo simplório /
por essa memória representada em rito solene /
que lançar água no corpo /
- no corpo que virou pó /
é símbolo óbvio de ressurreição /
porquanto água é vida /
pois quando se unem terra e água /
ali está o sopro no oxigênio /
casado ao hidrogênio /
numa bigamia com Raquel e Lia /
- sopro para peixe e homem /
consoante o receptáculo sejam narinas ou guelras /
e também ali aparece o risco do relâmpago /
que desce do céu /
pela escada de Jacó /
e risca o coração do homem /
risco corisco que perpassa a alma /
passando pelo cérebro no comando do piloto /
e o corpo humano inteiro interior /
e quiçá o exterior /
pois é o fogo o que queima o homem /
e o consome pela respiração /
pura pira funerária e vital /
( o ser humano antes de virar pó /
se transmuta em rocha /
que a morte é rochosa /
é a volta à pedra com o cadáver /
um corpo sem a torrente do sangue /
sem o batismo da vida /
que é o jorrar da água viva /
da alma viva na água /
que água é alma viva /
que veicula em si as pedras pequeninas /
que chamamos os sais minerais /
por onde anda o fogo sore água /
na forma de corrente elétrica /
que é o milagre de Jesus na eletricidade /
que perpassa o corpo vivo /
do centauro humano /
a fênix a renascer /
depois do fogo /
e com o aspergir de água /
que acorda metaforicamente o corpo morto /
do homem-Cristo /
e também desperta de fato /
o anfíbio há anos em estado suspenso de vida /
quando recebe a benção ou batismo /
da chuva que é outro Batista /
a batizar ervas daninhas /
e indiscriminadamente também as boninas /
Contudo, antes de descer ao pó /
o homem morto é uma rocha /
substituindo como o corpo presente /
o ser que se fartou de pensar /
e tanto fazer na labuta diuturna /
mesmo a trabalho no sono /
que o sonho é uma indústria por dentro /
indústria no silêncio /
indústria do silêncio /
no rito e mito /
que é a representação do centauro /
o ato de esculpir o fauno na fauna
enquanto "nous" ou nome ou onomástica /
ou inteligência grega para nomear a natureza vegetal /
que anda nas patas do animal /
e move os membros do homem /
outro alfa centauro /
alfa "centauri" /
alfa do centauro ) /
Inventemos outro Adão /
porque o que Deus criou /
entregou-se à peçonha da mamba negra /
escondida na flor alva da laranjeira noiva /
porquanto o homem do criador /
nasceu bom mas a sociedade o corrompeu /
segundo o evangelho ateu de Rousseau /
que talvez soubesse que o menino é sempre bom e belo /
- que o menino é um Platão divino /
( são tantos Platões divinos /
quantos são os meninos /
e quantos forem os pequeninos /
amigos de Jesus de Nazaré /
no seu doce idílio /
que Rousseau furtou /
e fantasiou no carnaval da filosofia ) /
Todavia o homem é mau /
não é um divino Platão /
nem um Rousseau olvidando /
que se fosse, "foscamente-fosco" no lusco-fusco, bom o homem /
- o homem é para si e para os seus /
porquanto se a sociedade é corrupta /
e ele se corrompe com ela /
é porque sempre fora corrupta /
desde de pequenino /
antes que lhe torcessem o pepino /
Sem embargo, por mais que seja bom o menino /
muitas vezes ou a maioria dessas vezes vezes setenta ou setentrião /
não resta alternativa ao homem /
um sobrevivente entre outros renitentes penitentes /
senão a corrupção e o jogo sujo /
entre as casas do jogo de xadrez /
que põe o homem entre o mercado negro /
e o mercado branco /
no jogo de guerra real que é o xadrez cotidiano /
onde não há nenhum paladino vivo /
depois do passar os quatro cavaleiros do apocalipse /
com a lei da vida e da morte à mão /
que também leva a peste /
a fome e a espada afiada para a garganta do tolo /
A sociedade lhe impõe a lei perversa do Apocalipse /
que faz do indivíduo solitário e desprotegido /
presa dos animais alfa e beta /
unidos num bando imenso e forte /
usando as legiões romanas ou os batalhões de choque /
para que os ômegas cumpram seu papel subserviente /
sem murmúrio algum /
mas em ordem de sintaxe que põe sujeito e objeto /
sendo objetos os animais ômega /
que é o povo /
ou Cristo no papel entre metafórico e alegórico de povo /
aos quais só resta obedecer /
ou perecer nas masmorras da Inquisição espanhola /
que continua montada em tribunais de Direitos /
e até de Direitos Humanos /
- tudo, claro!, fictícios /
formas de engodo da justiça /
que não é para todos /
mas somente para alguns donos da lei /
Há, evidentemente, aqueles meninos bons /
incautos homens feitos /
que, não obstante, o ranger dos dentes da fera /
se recusaram a crescer /
se transformando em Peter Pan fáticos e reais /
naturais metáforas retiradas das palavras /
e colocadas no dia-a-dia /
onde a besta do apocalipse /
demarca o território para suas fêmeas e crias /
e ensina a zoologia natural /
na qual o homem é a pior besta /
e a mais feroz e nociva /
( o "bom menino" do palhaço "carequinha" /
que ouvi em criança /
dentro do meu cântaro de barro fresco /
expressou o que leu ou ouviu no filósofo Rousseau /
o qual sabia ler a Pedra de Rosetta /
o monólito de Rosetta /
que é o corpo humano em geoglifos /
ou em genes /
conforme seja o jargão do biólogo /
do engenheiro geneticista ou do geólogo /
que sabe ler corpo de terra /
no corpo inteligente da vida /
que é o ser humano /
de Rousseau a Voltaire /
angelical e cínico /
mas sempre iluminista /
mesmo que chovam potes de trevas ) /

Rumorejante é o riacho que acho ancho /
- ancho como Sancho Pança /
passando pelo arvoredo /
pelo passaredo e pelo vinhedo /
em pelo de vilarejo /
testemunhado por Marc Chagall /
na terra natal /
na santa Rússia dos Czares crudelíssimos /
( toda política é Maquiavel /
todo o onírico é Freud /
Marx e Marc Chagall /
Salvador Dali e Joan Miró /
que toda arte é sono com sonho /
com doce algodão-doce /
que eu amava esperar passar o vendedor /
um homem simples que o vendia para minha filha /
e para emu filho pequenino /
quando ele era um filho também de Rousseau /
um filósofo francês abastado em sonhos insidiosos ) /
Tudo pensado e geoglifado /
enquanto corre o córrego /
em rumorejo de passaredo /
silvando e sibilando pelo arvoredo /
serpenteando na ventania /
no vento do catavento /
- no catavento de Quintana e ledo vento /
ledo Ledo Ivo /
- mais leda é a madrugada de Camões! /
e inda mais leda a minha madrugada de bêbado /
sustentado pelo palor do luar /
que cavava e cantava no orvalho /
feito um feto de grilo em projeto enterrado /
ou emparedado pelo teor do luar /
em teor de terror e teia /
abandonada pela aranha na casa abandonada /
ao pó do anjo e ao louco /
que lá mora solitário /
em solitude solto na madrugada enregelada /

Rumorejando vou /
em corpo e mente sã /
com a anã branca a perpassar a barra da alva /
que Ana botafogo no céu /
no contraponto e fuga para a flor de laranjeira /
noiva em alvor e aroma /
casando na aldeia pintada por Marc Chagall /
que deixou aldeias e noivas voando /
ao vento ao léu louco /
em tresloucado pecado /
fado apaixonado! /
fado de fada de Portugal /
também das bruxas /
que não cantam seu fado /
- triste fado! /
triste sina! /
de menina /

Rumorejo num riacho /
mas acho que não é riacho em rumorejo /
e sim enredo de medo /
o que canta o aedo /
no pássaro ledo /
que amanhece na garganta de Ivo Ledo /
sem ledo motivo /
nem tique-taque tatibitate... /
tatibitate com o nenén! /

Rumoreje um ribeiro /
beira à ribeira /
límpido lívido liso livre e líquido /
na lividez da palha /
ou no desgosto de cor cinza /
na palma que caiu do coqueiro /
em noite que não era par palmeira /
mas sim para um vendaval infernal /
e uma cobra com enguiço /
um chocalho de crótalo /
ritmando a noite /

Rumoreja um arroio /
orla com o arroz /
espargido na terra /
deitada em mente de melancia gorda /
túrgidas por fora e escarlates por dentro /
no santo dos santos da melancia /
sem melancolia ou embolia ou empatia /

Rumorejo por um fio de rio /
rumo de casa /
para onde vou sem saber se é casa /
mas penso-sonho que é lar /
uma palhoça acolhedora /
e onde tem crianças a me esperar /
lá no lá lá lá da crianças /
e no chá lá lá lá á do "The Beatles" /
Sonho-penso junto à paixão /
junto ao meu coração /
que na cabana sem moinho de vento /
rumoreja o coração de uma mulher /
- o qual enquanto rumorejar /
o que era luar ontem /
tresontonte /
não me abandonará à solidão /
destino cruel do homem /
esse solitário viandante /
cuja única companhia de Jesus /
é sua sombra em Nietzsche /
Mas em verdade ninguém espera por ti /
- todos esperam por si /
por si mesmos /
em sua solidão indevassável /

Rumorejo junto ao regato /
mas sinto que ninguém espera por mim /
neste mundo que parece um vasto pasto /
- ninguém me espera /
excepto a criança pretérita /
que perdeu o anel de infância /
que a envolvia no tempo /
com o abraço em gema preciosa /
que era seu corpo infantil /
morto no retrato /
que é um destrato do contrato de infância /

Por mim ( por mim!!!) espera /
solitário em solitude e solerte /
a mulher verde /
que mora dentro de mim /
na aldeia de dentro /
num enclave da alma /
- a mulher verde idílico /
a mulher idílica /
lírica espera por mim eremita /
mas isso porque ela está dentro de mim /
não pode sair /
não posso regurgitar o que está dentro de mim /
em caixa hermética /
com o lacro do intimismo /

Ninguém espera por mim /
nem por ti /
bem-te-vi ridículo /
bem-te-vi desditado! /
- desditado bem-te-vi dourado /
que nunca fica calado /
só na calada da noite em passos pelo orvalho /
da madrugada esguia /
pelas sombras do galo cantor /
o qual canta o candor /
no beijo do rocio macio pio a pio /
no cio do Beijo de Klimt /
( cada um de nós espera por si /
no beijo de Klimt /
com sua amada imaginária /
perdida nas ilhas e aldeias do onírico /
náufraga como todos seres humanos somos /
náufragos Robinson Crusoé /
com a nau despedaça no coração /
e na alma que um dia ou noite escapa /
da masmorra do corpo animal /
ou corpo ou cela de alma /
se o latim for cristão /
ao invés do cínico romano /
latim da filosofia dos cínicos /
que se revirou pelo avesso em Direito /
- Direito romano /
cínico direito /
filosofia de olhos vidrados /
em cristianismo e Direito ) /

Rumorejo um rio e acho /
que é riacho /
mamão macho /
doce no tacho /

Rumorejo um lugarejo /
carquejo /
- que dizem "carquejo" /
e vou pelo cacarejo /
cuchi-cuchi quinso cucho /
tiririca-de-bêbado tiririca-de-balaio /
cacaia-amarga cacália-amarga /
caclia-doce bacárida tojo /
Contudo escrevem carqueja /
com toda esta onomástica na boca /
que entorta o cachimbo /
e na binominal é a "Baccharis trimera" /
que a língua morta fala /
deste vegetal de se ter em canteiro de jardim /

Rumorejo caranguejo /
se um vejo /
um caranguejo-eremita /
- eremita que sou à beira d'água /
balouçando em ondas /´
senoidais ou sem senóides /
sem seno /
co-seno /
senóides /
de cordas bambas /
de tanto balançar /
o brigue do corpo /
em alegoria de Salvador Dali /
quando dali daquela praia /
onde desembarcara o homem-veleiro /
o homem-brigue /
com os pés na areia /
depois talvez da tormenta /
da procela /
e do naufrágio /
tirou os pés com sandálias do mar /
e se pôs em terra seca /
com seu corpo de centauro tecnológico /
metade homem /
e metade invento de homem /
- pois o homem é uma criação de Deus /
e uma invenção do homem /